29/03/2006 20:44
LIVROS:
MADAME BOVARY
DE GUSTAVE FLAUBERT,
414 PÁGS.
Madame Bovary sou eu.
Gustave Flaubert
CAPA DO FILME HOMÔNIMO, QUE NÃO VI AINDA.
SINOPSE: É a história de uma licenciosa e entediada dona-de-casa que trai o pacato marido sem pudor e que se passa no século dezenove.A personagem Ema é dissecada, radiografada, seus pensamentos expostos página após página... Sua publicação foi um escândalo na França, levando o escritor aos tribunais por ofensa à moral religiosa. O que porém faz deste livro um clássico é o estilo de Gustave Flaubert. A figura central era, na verdade, uma também escritora, mulher casada e amante do autor, de caráter sonhador e leviano, dada a leituras de romances banais. Flaubert, no livro, tem uma perversa má vontade para com sua personagem. Os amantes ficaram estremecidos, pois a mulher não gostou de ver inúmeros vestígios de sua relação retratados publicamente. Além disso, como a amante, a personagem do romance também é casada, possessiva, ambiciosa, apaixonada e colérica. Ambas têm desenvoltura em trocar de amantes, pois Flaubert considerava os maridos inaptos e fracos. Embora afirmando que seu livro nada tinha a ver com sua vida pessoal, muitos são os vestígios comuns...
MINHA OPINIÃO: Dizem por aí que na realidade só existem 48 histórias e, todas as outras são apenas variações daquelas. De início, achei uma bobagem isso, mas agora estou quase convencida de que é verdade.
Madame Bovary de Gustave Flaubert deu início ao movimento realista na França, esse foi um dos motivos que me levaram a ler o livro. O outro, foi a ótima minissérie Os Maias que, de uma forma muito livre (e muito distante do original, descobri depois) introduziu a personagem principal do livro, Ema Bovary, e seu marido Carlos na trama. Mas esqueça a Ema interpretada por Eliane Giardine. Ela não tem nada parecido com a personagem do romance melancólico e monótono de Flaubert.
No mais, o livro se mostrou muito parecido com o Primo Basílio de Eça de Queiroz e Ana Karênina de Tolstoi. Todas as personagens se casam sem amor, tem uma vida chatíssima, em que nada acontece, lêem romances açucarados (aí está a crítica introduzida pelo realismo, que não choca mais ninguém), sonham com um amor arrebatador, e uma vida cheia de luxo e festas...até chegar um canalha aproveitador que, as seduzem com meia dúzia de palavras meladas e elas,é claro, se entregam a esse amor proibido que as levam à desgraça e ao castigo(até o castigo é igual para todas elas).
A semelhança é tanta que um trecho em especial me chamou atenção:
Era a primeira vez que Ema ouvia tais coisa, e seu orgulho, como quem repousasse numa estufa, se espreguiçava molemente e todo inteiro ao calor daquela linguagem.
Compare com trecho famoso de O Primo Basílio:
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades e o seu orgulho dilatado em seu calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido (...)
No livro de Toltói também deve haver algo bem semelhante, mas não me lembro onde exatamente no meio daquelas 700 págs.
Terminei o livro em um dia especialmente triste, talvez por isso ele não tenha deixado saudades.
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enviada por Nine, nina, binha...
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